A ausência da boca sugere não apenas um silêncio físico, mas também a impossibilidade de expressar plenamente as dores e experiências vividas, como se as palavras não fossem suficientes para traduzir o que está gravado na alma. Os olhos fechados reforçam essa jornada interna, conectando o observador a um estado de meditação e reflexão, onde o "não dito" e o "não visto" ganham protagonismo. O silêncio não é vazio, mas um espaço pleno, onde memórias, dores e descobertas se entrelaçam em busca de sentido. É o silêncio que acolhe, revela e oferece força. É nele que o garoto encontra sua essência
Os olhos fechados sugerem mais que descanso; eles são portais para uma jornada íntima. Eles convidam o espectador a também fechar seus olhos e ouvir o que há dentro de si. A escultura se transforma em um espelho silencioso, refletindo as jornadas interiores de quem a contempla.
A escolha da porcelana é uma metáfora poderosa: delicada como um sopro, mas resistente como quem sobrevive às adversidades do tempo. A peça carrega em sua superfície a dualidade da infância — um período de fragilidade e, ao mesmo tempo, de força latente. Como a porcelana, a infância guarda fissuras invisíveis, marcas que não quebram, mas moldam quem somos.
"Garoto de Porcelana" não é apenas uma escultura; é um convite à contemplação do que está além da matéria. É um chamado para ouvir o silêncio, para revisitar as marcas deixadas pelo passado e encontrar, mesmo na fragilidade, a força que nos torna humanos. No silêncio dessa figura, encontra-se um testemunho da resiliência — um lembrete de que é no interior, na introspecção e na aceitação, que a verdadeira força se revela.
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